2019-02-24

Dormir tranquilo

Photo by Adi Goldstein on Unsplash


Às vezes tenho medo,
Dos murmúrios da minha alma.
Porque ela é inquieta,
E te inquieta,
E te enche os olhos de medo.

Quisera eu ser forte como tu,
Que teimas em caminhar de pés descalços,
Para que o meu doce sono tranquilo.
Nenhuma perturbação o acorde.

Mas olha, sonhar contigo,
É o que me dá essa serenidade,
Que ainda me deixa dormir...

2019-01-17

Ode à Paz



Se as aves desenham arabescos no ar vazio,
Se das travessuras dos gatinhos, eu rio.
Se o sol se põe em aguarelas de fogo e alegria,
Ao fim de cada dia…

Se os bebés correm e choram no jardim,
Se em lutas de piratas, espadachins em bravata;
Se as mães sorriem aos seus meninos de bata!
Se os amantes olham nos olhos e dizem sim,
Então vales a pena!

Desistam da queima do arsenal,
Do ódio, da ganância, de fazer o mal!
Parem a enorme pira marcial,
Interrompam o holocausto industrial,
O capitalismo Adamastor;
Que contratualiza o amor,
Pisa a flor,
Pois destruir é o melhor que faz!

E por favor, tudo o que é preciso,
É recuperar o juízo:
Dar uma oportunidade à paz!

2018-10-20

E me leve...


O ritmo com que a vida corre!
Mas era suposto correr?
No fim só se morre,
Para quê então correr?

Bate as asas, murmúrio...
Efeito borboleta,
Que transcende mercúrio,
Mesmo que seja treta!

Que batida é esta,
Que amortece,
E já não presta?
Coração que envelhece...

Dizem que a vida é breve.
Porquê então tão pesada,
Esta maldita estrada?
Sendo nada, sendo leve.

E te leve. E me leve....

2018-10-15

Nada de borla!


Queria tanto sonhar o futuro contigo!
Mas não estou optimista, até estou triste.
Tem-me acontecido ultimamente...
Dizem que o futuro é dos indigo,
Mas vejo tudo negro, armas em riste.

Não vejo um mundo de iguais.
Mas um admirável mundo novo,
Que será dos outros que já têm demais,
E nunca pertencerá ao povo!
Talvez seja eu, um  assumido derrotista!
Mas desde que se nasce, é-se egoísta!

Sonhei tantas vezes um futuro melhor,
Baseado na transcendência do amor!
Mas é uma ilusão, um sonho que esvoaça,
Uma fogueira que desaparece em fumaça.
E o mundo corre e tudo passa,
E fica esta desilusão, esta quieta dor.

Talvez tu não vejas como eu, em tons de cinzento.
Mas tens razão, não sou o mesmo, perdi o alento.
E espero que os teus filhos aprendam a morder,
Porque este mundo onde vão crescer,
Nada de borla, lhes vai oferecer!

2018-10-14

O tempo das trevas



Havereis de lamentar,
O deixar passar,
A barbaridade,
Sem verdade!

Lamentareis as vossas filhas violadas,
Rapazes a bater em quem os fez nascer!
As boas ideias sendo abandonadas,
As desigualdades sempre a crescer.

Pensais que não se colhe o que se semeia?
A aranha há-de apanhar-vos na sua teia.
E haveis de sentir a picada do escorpião,
Quando fostes em tretas sem razão!

Oh como alimentais o vulcão ronronante!
Como se prendem os ventos antes do furacão,
Aproximam-se as nuvens negras, clarão trovejante!
E o touro desembolado escarva o chão,,,

Libertaste o monstro, a besta colossal!
O que fareis, para a conseguir parar?
Quando o mal é bem e o bem é mal?
A mentira que vos há-de sufocar?

Perguntais com hipocrisia:
"Como foi possível o nazismo?
Por nós não aconteceria!"
É a cegueira do populismo.

Entrai no redil ovelhas p'ra matança!
A máquina está afinada, arfando.
Vinde por vosso pé cantando,
Conjurados a esta macabra dança.

Oh não, por mim aos poucos só lamento,
Os males que me traz este meu tempo!
E entrego-vos à idiotice que abraçais,
Que para mim, as trevas, não as quero mais!