/* Google Analytics */ Mitro Vorga

2009-08-03

Gripe

A foto veio daqui.

Todo o dia,
A grande mídia,
Te debita,
A Histeria,
De uma pandemia!

Dizem que é gripe.
Antes tinha penas,
Agora ronca,
Isto ainda vai dar
Bronca!


Mas que gripe é esta,
Anunciada como funesta,
Em que os afectados,
Três dias depois,
Já estão curados?!

Isto não é mal de doença pura!
Isto cheira-me mais a negócio!
Acorda! Acorda! Desse teu ócio
Ou ainda vais morrrer da cura!

Preparam rápido a vacina anunciada!
Não debelaram a malária que mata,
Mas quando o dinheiro os acicata,
Éi-la rápida, a cura tão desejada!

Vem rápido tomar teu shot mortal!
A gripe não te acaba, nem faz mal.
Mas éi-los solicitos pra te ajudar:
Tomarás Tamiflu, queiras ou não
E poderás encomendar o teu caixão!

Mundo de doidos, de mentirosos compulsivos,
De mães histéricas, tomando anti-depressivos,
E de pais embezerrados, por caminhos ignorados.
Acorda! Não durmas mais, este teu sono louco
Ou o teu futuro será nada, ou muito pouco!

Os assassinos estão à solta por aí!
Psicopatas loucos vestidos de Armani!
Metam-nos num barco velho, pra afundar!
Se assim fizermos o mundo vai melhorar!
É prá afundar! Vamos mudar! Vamos mudar!

Acorda quanto antes, desse torpor!
Se sonhas amanhã, um mundo melhor,
Precisas acordar, fazer por isso!
Ou de gripe suína, fazem-te porco,
Acabarás feito chouriço, acabas morto!

2009-07-26

O Libertador Aprisionado




Nenhum Deus nos salvará
Estão entretidos a preparar
O fim do mundo desde já!

Mas éis-me com o dom de libertar
Tragam-me os vossos medos e prisões
Venham, que vos quero aliviar!

Ficarei por vós, com vossos grilhões
Sofrerei as vossas penas, vosso mal
Troca por troca, no final!

Deixem o sofrimento terminar
Que na vossa vida seja só uma fase
E eu que queria tanto voar...

Estive tão perto, estive quase, quase...

2009-07-10

Chuva Existencial



Lágrimas, como chuva na vidraça,
Que a vista embaça,
Mas com o tempo, tudo passa...

Agústia, como sede no deserto,
O sono interrompido, desperto;
Estive lá quase, quase tão perto!

Vida curta, empanturrada de nada!
A voz de Deus, continua calada,
E morremos, com a alma afogada!

2009-05-26

Dias sombrios...



Voltas para me ensombrar os dias!
Enchê-los dessas lentas agonias,
Relembrar-me tristezas conhecidas,
E que pensava já esquecidas...
És o meu pesadelo recorrente,
A parte de mim ainda demente.
O meu lado negro que acorda,
E que ao invés de emudecer,
Acorda aos gritos no meu peito,
Sem me deixar adormecer!
Depois de tudo que te tenho feito,
Estou cansado e queria sossegar.
Estou farto, quero parar!
Amor defunto, que aqui jaz,
Chega enfim vazia, a minha paz!

2009-04-23

Mostrarei Ser


a foto veio daqui

Mostrastes ser um penedo!
Um penedo é mudo, não diz palavra;
Mesmo quando lhe suplicam com convicção.
Um penedo é cego, não vê.
Nem lhe faz qualquer diferença,
Que haja rios de sangue!
Um penedo não tem pena,
Não sente compaixão.
Um penedo não muda,
A menos que o empurrem!
E quando se mexe é sempre destrutivo,
Como o Armagedom por ti prometido!

Queres que faça o quê?
Que te importa?
Não sentes!
Não vês!
Não falas!

Censuras-me?
Tens razão:
Ainda não consigo imitar-Te!
(Felizmente!)

2008-09-26

Água Parada


a foto veio daqui

Jardins queimados
Florestas de cinzas
Pedras abandonadas
Nas beiras dos caminhos

Jardim de pedras
Espalhadas por aí
Deixadas cair
Ou atiradas

Flores a morrer
Em poemas por dizer
E chove nesta luz de Abril
Esta nuvem negra e vil!

Tudo é vento
Tudo é nada
Resto de alento
Água parada



P.S.: Este poema estava para ir pró lixo...

2008-05-14

Os filhos da nação!



Há um cabrão parado em cada esquina
(E não é o pobre tocando a concertina…)
São a mão dos que agitam a lei pra engordar!
Ó nação trsite, entregue à vil torpeza,
Como correm teus larápios com ligeireza!
Assentaram manjedoura no palácio
As majestosas mulas consagradas!
Mujindo esfomeadas no plenário,
Ordenham criaturas resignadas.
Nem um lamento, nem um ai,
Ó triste nação que assim vai!

Terás porventura filhos teus?
Ou agora só pariste abortos,
Que antes de nascer já estão mortos?

Toca a concertina,
Pede esmola,
Resmunga em surdina!
E os outros vistam saia,
E tenham trejeitos de menina!

E éis doutos e sapientes,
Satrápas mui eloquentes,
Soberanos de pacotilha,
Que justificam a matilha!

Entre um bando de pulhas
E um bando de canalha
Não há-de restar nada!