2017-02-03

P'ra nada!



Por mais que eu queira,
Não há maneira,
De quebrar a maldição,
De ter vindo em vão.
Talvez a vida se queira ligeira,
Já que a existência é passageira.
Dizem-me que não  faz mal,
Faz parte  do ciclo natural.
Mas a mim, sabe-me mal!
Agarrei-me à vida à dentada,
E sei e sinto, foi p'ra nada!

2017-01-07

Ser ou não ser




Dizem que sou poeta.
Poeta não sou, não...
Que não me movimento
Pelo meio dos fabricantes de talento,
Dos fazedores de opinião,
De quem por artes mágicas,
Do seu largo traseiro,
Faz uma fonte de dinheiro!
Ou das que mesmo escrevendo mal,
Fazem sucesso na horizontal!

2016-05-06

Porque amanhã não será domingo



Porque amanhã não será domingo,
É preciso continuar a lavrar a terra.
Trabalho em suor nunca findo,
De quem pouco acerta e muito erra.

Porque amanhã não será domingo,
É preciso cerrar os dentes.
Não é hoje ainda que me vingo,
Mas por favor, não me tentes!

Porque amanhã não será domingo.
Devo guardar alguma força ainda.
Neste proletário cansaço findo,
Anseio esse domingo, a sua vinda!

2016-03-19

O Voo da Abelha - livro de poesia






Este é o meu primeiro livro de poesia. Podem procurá-lo na vossa livraria preferida.
Se não encontrarem, por favor, escrevam que estão interessados nos comentários que eu contacto.

2016-03-03

Pousar cansado


Sair por aí sem destino,
Em completo desatino,
Soltar a alma, deixá-la ir!
Achá-la depois, se conseguir.
Mas hoje não!
Não, por favor,
Que estou doente de amor.
No peito a doer o coração.
Não sou perfeito,
E soltou-se-me da mão.
Meu sonho eleito,
Ganhou asas e voou;
E ninguém o agarrou!

Canta a água no ribeiro,
Em cantante sobressalto,
O perfume dela sinto o cheiro,
Mas ao lado dela, eu falto!
Deixa-me ser vento, furacão!
Pôr asas neste doido coração!
Deixem-me solto, asa caída,
Todo eu, imensa ferida,
Por onde me esvaio!
Oh campos de Maio,
Cheio de papoilas vermelhas!
As minhas esperanças,
Deixaram-se de danças,
Trôpegas velhas;
Que arrastam passos,
De olhos baços,
Onde já não há vigor!

Sou eu perdido!
Deixai-me ir, andar,
Que o tempo é bandido;
E me anda a roubar!
Não, ainda não!
Um dia, hei-de parar...
Deixarei de voar,
E em ofegante respiração,
Pousarei cansado em tua mão!