2013-11-18

Estar Errado


Estou errado muitas vezes:
Errado de manhã por acordar.
Errado à noite, de cansaço.
Passam dias e muitos meses,
E não sei o que faço,
Continuo na mesma, errado;
Como barco que ao invés de navegar,
Está apenas encalhado!

Quem és tu que apontas o dedo?
Sei que erras também, é o teu medo!
Será mais fácil se seguirmos os dois,
Olhos abertos como faróis!
A nódoa cai no melhor pano!
Pelos caminhos da vida em correria
E se errar é humano,
Se não errasse o que seria?

2013-11-09

Ser água

A água afaga a rocha
Suaviza adoça a pedra
Corta o veio d'ouro
Rasga montanhas
Contorna dificuldades
Ruma ao mar
Onde se espraia até ao horizonte
Cria vagas e desfaz-se em espuma
Junto à praia
Sei que sou água

2013-10-21

Folhas de Outono



Poemas são folhas de Outono,
Caídas no chão, que o vento arrasta.
Não sei por que há beleza nisso,
E em tudo, nada basta,
Porque nunca quiseste isso!

Como sempre fui, fico vazio,
Homem simples, que se complica.
Já não sorrio,
Amargo que em mim fica.
Sou os poemas no vento,
Pedaços de mim em cada folha.
Tempo que se transforma em tormento,
Olhar que para lado nenhum olha.

E o Outono é cinzento…
Tudo passa num instante.
É só o fugaz momento,
Onde ficam as memórias e os sonhos,
Coisas alegres, mais serenas,
De tempos mais risonhos,
Gargalhadas às centenas!

Queria ser eu algo maior!
Transcender em amor.
Vencer a gravidade!
Alcançar a felicidade!
Talvez ser pássaro,
Aprender a voar,
Em ti pousar…

2013-09-02

A vida é sempre a perder...

 
Ela ronda negra a porta da casa,
Até que um dia nos derruba a asa.
Mas a sua aproximação é lenta,
A sua sede de sangue, nunca sedenta.
Sua irriquietude, maneja a foice,
E na notícia cruel e atroz,
O que te é querido, foi-se!
Ficas sem voz.
Cada dia mais só, na espera,
Que se acabe a quimera,
E que te alcance também!
E um dia virá, nunca por bem,
Fará o seu cerco à tua volta.
E não te adianta nenhuma revolta,
Ficarás atormentado e frustrado.
Perante a sombra negra nada adianta,
Quanto mais lutas, mais se agiganta!
Não adianta nem pular, nem correr,
A vida é sempre a perder...

2013-08-26

Afastar-me de mim

Os dias envergonham-se de crescer,
E aos poucos vão encolhendo…
Como a vida que deixa de correr,
E aos poucos se vai escondendo.
Há no ar, o frio do fim do verão.
Sonhos feitos da espuma do mar.
E o que outrora já foi paixão,
É agora e apenas um recordar.
Não sei se a vida deva ser assim…
Às vezes tudo parece sem sentido,
E andar, é só andar perdido,
A afastar-me de mim!

2013-08-24

Dai-me alento!


Sei de um caminho perdido e sem regresso.
Humilde sou um buscador e peço,
Alguma misericórdia por favor!
Dai-me alento e não ilusão,
Pois sigo lento em busca da razão.
Uma lógica perfeita e estabelecida,
E não alguma esperança,
Condenada a ficar perdida.

Estou cansado de correr...
Agora queria ficar parado,
Usufruir o que é viver,
E se possível sendo amado!

2013-08-23

Tempestade de Amor


O amor maltrata-nos, em vendavais de esperança e desalento.
Como se fossemos um saco de ossos que podem ser partidos.
Depois essa custosa dor que fica para sempre, de sonhos adiados,
De sermos veleiros de velas esfarrapadas, que ficaram para trás!

Nunca se importa com as vítimas de corações feridos.
Tenho a certeza que o amor, é a loucura de universo adolescente,
E toda a nossa esperança, todos os nossos pedidos,
Apenas o irritam, e o tornam ainda mais doente!

Para ele não importam os danos colaterais.
Ele acha-se de todos, importante demais!
Para dar atenção aos nossos medos, limitações...
Para ele tudo é ímpeto, fracos os nossos corações!

Não...Agora sou apenas um resto do que fui, uma pena!
E vogo no furacão com a tranquilidade de ser nada.
Deixei sonhos de grandeza, sou afinal coisa pequena,
Que pensa que cada dia, é apenas o começo da jornada.

2013-08-15

O Amanhã é bem vindo!


Há em cada hora que passa,
O peso acrescido da ausência,
O manto negro do silêncio,
Caindo como uma capa,
Que tudo abafa, tudo sufoca.

São os lugares de memória,
Que desenham encontros.
Esboçam futuros que podiam ser.
Mas é tudo um vazio,
Lugares de sonho,
Que existem em lado nenhum!

Sou um pássaro negro.
Sem querer, sou mais
Um agoiro involuntário;
Que me faz pesado.
E só queria ser bom,
E feliz, e voar...

Universo de caos...
Um louco que se reinventa!
E ao invés de pássaro,
Só posso ser árvore,
Subir ao alto.
E cair de pé.

Abrirei uma clareira na floresta.
Por pouco tempo creio!
E virá outra estação,
E cairá a chuva pesada.
A vida renova-se para se repetir.
Nunca é o fim, somos só nós,
Como uma brisa!
Nenhum gesto com mais significado,
Vida breve e fútil,
Um sopro passado.

O Amanhã é bem vindo.

2013-07-26

O monstro em mim


Há um monstro que mora em mim,
E às vezes irrompe hirsuto,
Revela-se bruto assim!
É um lado escuro e tenebroso,
Que certamente não me faz orgulhoso.
Antes pelo contrário, traz receoso,
Temeroso de quando vai espilrar,
E desatar a fazer mal,
Levar-me a errar!
Chão de sal,
Onde nada pode crescer.
Verbo feito pra me arrepender.
Lado de mim maldito, irracional,
Que me lembra o meu lado animal!
Deixa que o domestique, faça serenar,
Para que nunca mais se corra o risco,
De se soltar, morder e magoar!

2013-07-07

Desassossego de alma


Quero o desassossego da alma
Aos pastos verdes suculentos
Onde és sempre ovelha mansa
Pronta à tosquia ou à matança
Quero ser marinheiro aos quatro ventos
Enfrentar tempestades num veleiro
Quero ser louco, molhado a sal
Uns dizem que buscar ser feliz
É afinal, uma forma de mal
Que a bússola à frente do nariz
Devia ser a miragem deles!
Quem é mais reles?
Eu assumindo com coragem minha ignorância
E prosseguindo com ganância
A busca da felicidade
Ou eles impingindo-me a sua verdade?

Vazia a tua mão...


Nenhum redentor nos pode valer!
Nenhum pode tirar o que sofreste,
Nem o que estás a sofrer.

Não é a fé que tens neste.
É só que nem ele pode recuar,
Apagar o tempo que acaba de passar.

Que adianta um redentor ao sofrimento,
Não valeria mais a felicidade de um momento?
Essa depois de sentida, ninguém pode tirar!

Hipotecas o futuro, em troca de ilusão.
Mas tudo há-de passar,
Ficará sempre vazia a tua mão...

2013-06-04

Ficar deserto...




Há lugares de planície onde gostava de repousar
Estender a mão e colher flores, saborear frutos
Há rios que se me extravasam pelos olhos
Na canseira dos horizontes distantes

E gostava de ser pássaro e voar no teu céu
Ser o mundo perfeito, uma bola colorida
 Fazer avançar o mundo e o tornar melhor
Pensar que ser grande é por amor

Tudo o que me escorre entre os dedos é areia
Mancheias dela com sabor a deserto
E penso que este cheiro bolorento que sinto
Sou eu apenas velho e a morte já tão perto

2013-05-28

Pedra de sal

Dá-me um sinal
Pedra de sal
Na tua boca
Palavra oca
Batida na porta
Rua tão torta
Pecado em mim
Lágrima no fim!

2013-05-23

Não os levar a morte!



Este barco tem rombo no casco,
E o capitão já dá asco!
Uns dizem que é coelho,
Pra mim é velho!
Tanto que é bafiento,
De tom salazarento,
Mas sem substância!
Pedaço de arrogância,
Erguida a lugar de mando!
Chefe de bando.
Colecção mafiosa,
Muito briosa,
De seus feitos.
Nunca foram eleitos,
Cambada de traidores!
Uns amores,
Dos banqueiros!
Vendilhões por trinta dinheiros!
Praga que não passa!
Tristeza madraça,
Que nos calhou em sorte.
Não os levar a morte!

2013-05-22

Hoje chove (não vás)


Hoje chove…
E a água entra,
Pelas frestas da alma,
Que tenta,
Parar o que se move,
Enquanto pode!
E esta calma…
O tempo está cinzento,
E eu bem que tento,
Que a chuva não caia!
E sopra o vento…
Afasta tudo no mesmo rol.
E brilha o sol,
E tu não estás!
E rio…
E faz tanto frio,
Oh se faz...
(Não vás...)

2013-04-25

O nosso Abril!



No mais lindo dia dum Abril cheio de cor
Aquele que abriu a janela da esperança
Quero declarar-te o meu amor
E a minha covardia nesta dança

Nessa primavera sem dia
Quero dizer que o meu amor
É sangue, é dor
E estou em hemorragia

Mas também há esta covardia
De não ter força na vontade
De construir a alegria
Cantar um hino à liberdade

Sou traidor do povo
Que me traiu a mim
Transformar-me em homem novo,
Erguer os braços em nova manhã assim

Mas não me importa nada
O que traz a madrugada
Porque esperando aqui
Só me importa que te traga a ti!

2013-04-24

Caindo...

O passado são grilhões,
Que se arrastam pelos c*lhões!
E no presente a Torre da treta,
É demolida a golpes de marreta!
E neste caminhar,
Fica-se doente,
Do futuro nos empurrar,
Para a frente!

2013-04-20

Em-Velho-Sendo



Há novos que parecem velhos, com ideias de ontem.
E velhos que nunca foram, com sonhos de amanhã!
Novos que rastejam submissos aos que têm,
Velhos com cravo na boca, sem esperança vã.

E sem pachorra para garotices e garotadas,
Os velhos que são jovens e gritam que não;
São os que rasgam o nevoeiro nas madrugadas,
E dos seus lábios entoam canção

Não! Não há idade própria para querer melhor!
O amanhã é sempre carregado de esperança!
E se não houver música, seja o que for,
Que mesmo o surdo se alegra na dança.

E deixem-nos ser, abrir caminho!
E a um velho não importa já,
Se vai acompanhado ou sozinho,
O que importa é chegar lá!



2013-04-15

O Espelho





Há um espelho frio,
Diante do qual me rio.
Se persisto em olhar,
Então, tenho de chorar…

Pedra atirada que o faz estilhaçar.
Ganho os meus anos de azar;
(E sim agora posso rir)!
Quebrou… e foi sem partir!

2013-03-15

Já não quero ser mais!


Há uma angústia feroz,
Que me cavalga no peito,
E me leva ao sufoco,
Ao medo do que sinto!

Pode um homem ser livre?
Ou seu destino é ser escravo,
De quem ama, ou se amou,
Ou se ficou amarrado?

Quis ser só eu...
E foi uma luta!
E estou cansado.

Já não quero ser mais!