2011-09-23

O Comboio do Progresso

Baseado na notícia aqui

Eram dois irmãos,
Unidos na mesma dor.
Deram as mãos,
Numa desesperança sem cor.
O comboio os levou,
Arrependido de não ter parado...

Que dirá o padre no funeral?
A mesma lengalenga padronizada
O sacro-santo ritual,
Que já não significa nada?

E os comentaristas televisionados?
Falarão das forças do mercado?
Ficarão abismados e chocados,
Com o rumo do mundo,
Agora imundo e emporcalhado?

Depois disso o que dirão?
Louvarão o mercado desregulado,
A sua invisível mão?
Dessa mesma, agora manchada;
Donde escorre o líquido escarlate...
Não haverá quem a mate?

Mão gorda e mentirosa,
Que conduz a locomotiva,
Deste comboio que nos tira a vida.
Acreditamos na sua visão maravilhosa,
Truque mágico que nos ilude e engana!
Acreditamos no valor do dinheiro,
E na sua falta, o aperto que nos esgana!
E depois de partido o mealheiro,
Não resta nada, senão a rua e o frio...
A espera paciente na estação,
Aguardando o fim de todas as coisas sem nexo,
Ser levado na frente do comboio do progresso!

4 comentários:

Ivete disse...

Amigo Mitro, é um prazer te rever depois de tanto tempo... Teus últimos poemas tem sido sempre fortes, de denúncia contras as injustiças. Escreves muito bem! Não deixes de escrever!

Um abraço

Pearl disse...

Há que prosseguir mesmo contra todas as expectativas!

um beijo

tb disse...

Sempre muito ao meu gosto a tua forma de poemar. :)
Abrinhus.

Inês Diana disse...

Passei para te deixar um beijo... :)