2014-12-27

Enjaulado




Sou o calhau no leito do rio,
E mais alguma coisa que não sei.
O animal enjaulado e com cio.
A ave cujo voo nunca dei.
Sei que sou a minhoca,
Ou a toupeira que cava a toca.
Fujo da luz, e já nem sei;
Se de tanto fugir já ceguei!
Quem me diz o que sou?
O caminho por onde vou?
E se não disserem nada,
Isto mesmo assim, não acaba!
Talvez me perca dentro de mim;
E pinte as coisas em tons de cinzento.
Há-de chegar um dia, o fim;
E irei, irei sem um lamento.

4 comentários:

Serafim Peixoto disse...

interessante

Anjo Sabúrcio disse...

Poesia bastante concreta, inteligente, e concisa... Mitro Vorga: Um artista em ascensão, ou um rebelde poético escondido?

mitro disse...

Porque não os dois?

Anjo Sabúrcio disse...

Porque os dois acabam, no final, por chocar com a triste realidade escondida de um artista...