2013-04-20

Em-Velho-Sendo



Há novos que parecem velhos, com ideias de ontem.
E velhos que nunca foram, com sonhos de amanhã!
Novos que rastejam submissos aos que têm,
Velhos com cravo na boca, sem esperança vã.

E sem pachorra para garotices e garotadas,
Os velhos que são jovens e gritam que não;
São os que rasgam o nevoeiro nas madrugadas,
E dos seus lábios entoam canção

Não! Não há idade própria para querer melhor!
O amanhã é sempre carregado de esperança!
E se não houver música, seja o que for,
Que mesmo o surdo se alegra na dança.

E deixem-nos ser, abrir caminho!
E a um velho não importa já,
Se vai acompanhado ou sozinho,
O que importa é chegar lá!



2013-04-15

O Espelho





Há um espelho frio,
Diante do qual me rio.
Se persisto em olhar,
Então, tenho de chorar…

Pedra atirada que o faz estilhaçar.
Ganho os meus anos de azar;
(E sim agora posso rir)!
Quebrou… e foi sem partir!

2013-03-15

Já não quero ser mais!


Há uma angústia feroz,
Que me cavalga no peito,
E me leva ao sufoco,
Ao medo do que sinto!

Pode um homem ser livre?
Ou seu destino é ser escravo,
De quem ama, ou se amou,
Ou se ficou amarrado?

Quis ser só eu...
E foi uma luta!
E estou cansado.

Já não quero ser mais!

2012-12-06

Alma doida




Diz-me porque bate o coração no peito?
Acho que é a alma às cabeçadas, a querer sair!
Mas para onde quererá essa doida, ir?
Não faz sentido do abrigo onda a encerro,
Querer largar tudo e por-se a correr!
Provavelmente é meu erro,
Ter medo que se ponha a fugir,
Devia deixá-la antes largá-la solta...
Deixá-la ir!

2012-11-28

A propósito deste filme, é que ocorreu o poema. A primeira aparição deste poema foi no Facebook.


Que força é essa que te desassossega até à desgraça
Que trejeito é esse, que dizes quase por graça
Seres homem não de palavras mas de acção?
E sabes, tinhas inteira razão!
Os tiques de uma esquerda teórica
Mais preocupada com o argumento e a retórica!
E um país prenhe, à espera de parir!
E tu foste! Tinhas de ir!
Podias ser Delgado, mas não a tua visão,
Ingénuo Humberto, como é próprio de herói!
E a tua morte às mãos de gajos sem tola,
Num boçal e provinciano crime de sachola!
A justiça não foi servida, e a memória dói!